O ponto de equilíbrio: onde a neuroplasticidade encontra a Vontade de Sentido.
- Renata Araújo
- há 2 dias
- 2 min de leitura
Por que a ciência precisa da poesia para entender o que dói? Na Casa do Meio, habitamos a fresta entre o que é orgânico e o que é transcendente.
A dor humana é um fenômeno híbrido. Ela é, simultaneamente, um disparo eletroquímico no sistema nervoso e um grito da alma em busca de significado. Tratar o sofrimento apenas como um desequilíbrio químico é ignorar a história de quem sente; tratá-lo apenas como uma abstração poética é ignorar a nossa natureza biológica.
A Casa do Meio nasce para habitar esse "entre". Nem o reducionismo da medicina fria, nem o abstracionismo sem chão. Nossa prática é uma costura fina entre quatro vertentes.
1. A Neurociência e a Segurança do Vínculo:
Não existe transformação sem segurança. O cérebro humano, em especial o sistema límbico, é um radar de ameaças. Quando nos sentimos julgados, a amígdala cerebral "sequestra" nossa capacidade de pensar com clareza. A escuta ética d’A Casa do Meio atua como um regulador externo: ao oferecer um ambiente seguro, baixamos o estado de alerta biológico. Só assim o córtex pré-frontal — onde reside a nossa capacidade de decidir e mudar — pode voltar a operar. A cura começa na regulação do sistema nervoso através da presença do outro.
2. O Simbolismo e a Linguagem do Inconsciente:
Onde as palavras diretas falham, o símbolo fala. O inconsciente não se comunica por relatórios técnicos; ele usa a linguagem do sonho, do mito e da imagem. Ao integrarmos o simbolismo em nossa prática, acessamos camadas da psique que a lógica racional não alcança. O símbolo é a ponte que une o que está quebrado dentro de nós.
3. A Filosofia como Bússola Existencial:
Como dizia Viktor Frankl, o ser humano é movido pela busca de sentido. A filosofia na Casa do Meio não é uma disciplina acadêmica, mas uma ferramenta de questionamento: Quem sou eu para além do meu diagnóstico? Qual é a liberdade que me resta diante do que eu não posso mudar? A ética do cuidado é, antes de tudo, um compromisso com a liberdade do outro.
4. A Poesia: A Estética do Reencontro:
A poesia é a ciência do detalhe. Ela nos ensina que a forma como narramos nossa história altera a nossa experiência química da dor. Quando transformamos um " trauma" em "narrativa", estamos, literalmente, reorganizando nossas redes neurais. A poesia é o acabamento que permite que a dor, outrora bruta, ganhe contorno, beleza e destino.
A Casa do Meio é esse laboratório de humanidades. Aqui, respeitamos o seu cérebro tanto quanto respeitamos o seu mistério. Se você sente que a sua dor não cabe em uma caixa, venha para o espaço onde o conhecimento se torna acolhimento.

Até breve! 🌻
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✍🏼 Por Rê Araújo
Filósofa da alma














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