A escuta como "recalculadora"
- Renata Araújo
- 1 de mar.
- 1 min de leitura
Se o trauma e o estresse moldaram o biológico para a sobrevivência, a análise oferece um caminho para a existência. A escuta analítica ajuda a "recalcular" esses impactos de três formas principais:
A Transformação do Registro
O trauma biológico muitas vezes não tem palavras; é uma "memória do corpo". Ao transformar o sofrimento somático em narrativa (a cura pela fala), o sujeito retira a carga de urgência do sistema nervoso. O que era um "perigo presente" passa a ser uma "história passada".
Neuroplasticidade e Vínculo
A relação entre analista e analisando cria um novo ambiente seguro. Essa experiência emocional corretiva pode estimular a neuroplasticidade, fortalecendo as conexões do córtex pré-frontal (razão e autorregulação) sobre a amígdala (impulso e medo).
Epigenética Comportamental
Embora não mudemos a sequência do DNA, a mudança de estilo de vida, o manejo do estresse e o autoconhecimento podem alterar a expressão gênica. A análise ajuda a "silenciar" genes de resposta ao estresse que foram ativados por traumas antigos.
O corpo guarda o que a mente tenta esquecer.
No entanto, a plasticidade do nosso sistema biológico nos diz que não estamos condenados. A escuta analítica é, em última análise, uma ferramenta de intervenção bio-psico-social que permite ao sujeito deixar de apenas reagir ao ambiente para começar a agir sobre ele.
Até breve! 🌻
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✍🏼 Por Rê Araújo
Filósofa da alma








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