top of page
4b333bda35c3374cf66f942d8f75f6ab.jpg
2.png

Que você possa desfrutar com sabedoria e lucidez de qualquer conteúdo deste local que, para mim, é sagrado!

A exclusão da Vida: onde perdemos o chão?

Em uma aula potente no Café Filosófico, a filósofa Viviane Mosé nos convoca a uma tarefa urgente: distinguir a civilização da vida. Segundo Mosé, nós construímos um "edifício conceitual" — feito de metas, burocracias, normas morais e consumo — e passamos a acreditar que isso é a existência. Mas a vida, a vida real, é algo muito mais vasto, assustador e grandioso.


A Civilização como Covardia

Mosé argumenta que a nossa civilização é, em grande parte, um exercício de covardia. Criamos o pequeno, o medíocre e o mesquinho para não termos que lidar com os grandes desafios: a finitude, a deterioração do corpo e a imensidão do imponderável. Optamos por sofrer por "desafios mesquinhos" (como status, seguidores ou disputas vazias) porque a dor da vida real — aquela que nos esgarça a alma e amplia nosso contorno psíquico — é grande demais para suportarmos.


O Erro da Virtualidade sem Chão

Um dos pontos mais fascinantes da aula é a discussão sobre a virtualidade. Para Mosé, o erro não está na tecnologia ou no pensamento abstrato, mas em "perder o pé da terra". Quando perdemos o chão, perdemos a retroalimentação com o que é vivo.

Vivemos hoje em uma espécie de procrastinação da alma, onde giramos em círculos intelectuais e virtuais para evitar o risco da presença. O risco, diz ela, é o que nos mantém jovens; é onde o corpo aciona sua potência máxima. Quem nunca corre riscos torna-se impotente diante da própria existência.


A Vida como Fenômeno Estético

Baseando-se em Nietzsche, a filósofa define a vida como um "mar de forças" em constante mutação. Não há oposição entre vida e morte; a morte é a condição para que a vida continue se expandindo. O problema é que a nossa racionalidade, herdeira de Sócrates, tentou domesticar esse caos, criando um mundo "bonitinho e arrumadinho" que exclui o que é trágico e intenso.


Quando excluímos a dor, a perda e o erro, excluímos a própria vida. O resultado é uma sociedade doente, entupida de diagnósticos e medicações, que tenta silenciar com pílulas o que é, na verdade, um transbordamento de vida pedindo passagem.


O Sagrado sem Religião

Para Viviane, o sagrado é simplesmente o imenso, o excessivo. Recuperar a vida é recuperar a capacidade de se sentir "afetado" pelo mundo. A nossa inteligência deveria servir para desenvolver a sensibilidade estética: a capacidade de ver o pôr do sol e sentir que, embora a nossa dor continue, a grandeza da vida nos invade e nos justifica.




Até breve! 🌻


***

✍🏼 Por Rê Araújo

Filósofa da alma

Comentários


  • ÍCONES (3)
  • 23
  • 22
  • 20
  • 21
  • ÍCONES (2)
bottom of page